Medo de fraudes faz 69% dos brasileiros evitarem a compra de medicamentos pela internet

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Medo de fraudes faz 69% dos brasileiros evitarem a compra de medicamentos pela internet
© Marcelo Camargo/Agência Brasil

A digitalização do consumo no Brasil alcançou setores sensíveis, mas a venda de medicamentos por meio de plataformas digitais ainda enfrenta uma barreira significativa: a desconfiança do público. Uma pesquisa recente realizada pelo Instituto QualiBest, por encomenda da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), revelou que 69% dos consumidores brasileiros sentem receio de adquirir remédios falsificados no ambiente virtual.

O levantamento, que ouviu 2.024 pessoas em todas as regiões do país entre 13 e 17 de julho de 2026, expõe um cenário onde a conveniência do e-commerce colide com a necessidade de segurança sanitária. Além do medo de falsificações, 59% dos entrevistados temem receber produtos vencidos ou armazenados de maneira inadequada, enquanto 54% apontam o risco de adquirir itens sem o devido registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O desafio da regulação e a segurança do paciente

A discussão ganhou força após a recente revogação, pela Anvisa, de medidas que restringiam a comercialização e propaganda de medicamentos em grandes plataformas de marketplace, como iFood, Rappi, Mercado Livre, Submarino, Americanas e Shopee. A mudança segue a Lei nº 15.357/2026, que permite a contratação desses canais por farmácias licenciadas exclusivamente para logística e entrega.

Contudo, a autorização não é imediata. A Anvisa esclareceu que a implementação depende de uma regulamentação específica, que está em processo administrativo. O objetivo é garantir que a inovação tecnológica não comprometa a saúde pública. Para o setor farmacêutico, a preocupação central é que a venda digital não se torne uma commodity, mantendo a obrigatoriedade da assistência profissional.

Responsabilidade e o papel do farmacêutico

A pesquisa da QualiBest destaca que 85% dos consumidores atribuem às plataformas a responsabilidade por eventuais problemas com remédios vendidos online. Esse sentimento é corroborado por especialistas em defesa do consumidor. Silvio Romero, diretor jurídico do Procon-RJ, reforça que tanto a farmácia quanto o marketplace respondem solidariamente por danos à saúde ou vícios de qualidade.

A presença do farmacêutico continua sendo o principal pilar de confiança para 78% dos entrevistados. A expectativa é que, mesmo com a intermediação de aplicativos, o controle de prescrições, a rastreabilidade e o armazenamento adequado sejam preservados. O Conselho Federal de Farmácia (CFF) tem acompanhado o processo regulatório para assegurar que a tecnologia atue apenas como um facilitador logístico, e não como um substituto da orientação técnica.

Cuidados essenciais no consumo digital

Enquanto as novas normas não são finalizadas, o consumidor deve redobrar a atenção. O Procon-RJ alerta para sinais de alerta, como ofertas com preços muito abaixo do mercado, que podem indicar produtos de procedência duvidosa. A recomendação é sempre verificar se o vendedor é uma farmácia ou drogaria devidamente licenciada.

Guardar comprovantes, notas fiscais e prints de anúncios é fundamental para garantir direitos em caso de problemas. Embora 95% dos brasileiros já tenham o hábito de comprar online, a cautela com medicamentos é um reflexo da maturidade do consumidor, que entende que a saúde exige critérios superiores aos de outros bens de consumo. O Diário Independente segue acompanhando os desdobramentos desta regulamentação, trazendo análises sobre como as mudanças na legislação impactam o seu dia a dia e a segurança da sua família.

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