Brasil reduz hiato educacional em relação a nações desenvolvidas, aponta Pisa 2025

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Brasil reduz hiato educacional em relação a nações desenvolvidas, aponta Pisa 2025
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O cenário educacional brasileiro apresenta sinais de resiliência e avanço em um contexto de longo prazo. Dados divulgados nesta terça-feira (8) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revelam que, embora o Brasil ainda permaneça abaixo da média dos países desenvolvidos, a distância no desempenho escolar tem diminuído progressivamente nas últimas duas décadas. O levantamento é parte do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), principal métrica global para aferir competências de jovens de 15 anos.

A avaliação, realizada em 2025, manteve o desempenho brasileiro estável em comparação ao ciclo de 2022. Os estudantes brasileiros registraram 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. Em contrapartida, a média dos 23 países da OCDE situou-se em 466, 469 e 486 pontos, respectivamente. A disparidade é notável, especialmente em matemática, onde a diferença de pontuação sugere um atraso de aproximadamente 4,6 anos escolares em relação aos pares mais desenvolvidos.

Evolução histórica e resiliência pós-pandemia

Apesar da estagnação recente, a análise histórica entre 2006 e 2025 aponta uma trajetória de convergência. Em leitura, a diferença em relação à média da OCDE caiu de 102 para 58 pontos. Em matemática, a redução foi de 39 pontos, enquanto em ciências a melhora foi de 36 pontos. Este movimento indica que, embora o ritmo de crescimento seja um desafio, o sistema educacional brasileiro tem conseguido reduzir o hiato que o separa das nações de maior rendimento econômico.

Um dado relevante do relatório é a capacidade de recuperação do Brasil após os impactos da crise sanitária. Entre 2018 e 2025, o país não apenas superou o desempenho pré-pandemia na área de ciências, como também apresentou perdas menos acentuadas em leitura e matemática do que a média global observada pela OCDE. A aplicação da prova no Brasil é coordenada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Impacto da restrição de celulares em sala de aula

Um dos pontos de destaque na edição de 2025 foi a mudança no ambiente escolar quanto ao uso de dispositivos móveis. Cerca de 81% dos estudantes brasileiros relataram frequentar escolas com restrições ao uso de celulares, um salto expressivo frente aos 37% registrados em 2022. O índice brasileiro supera a média da OCDE, que é de 49%.

O Ministério da Educação (MEC) atribui parte dessa mudança à implementação da Lei nº 15.100/2025, que normatizou o uso de aparelhos na educação básica. Evidências colhidas pelo Pisa reforçam que a limitação de distrações digitais está correlacionada a um ambiente de aprendizado mais focado, corroborando estudos anteriores que apontavam o uso excessivo de telas como um fator de queda no desempenho acadêmico.

Engajamento estudantil e consciência ambiental

O Pisa 2025 também explorou aspectos comportamentais e atitudinais dos alunos. O levantamento mostra que a percepção sobre a utilidade da escola mudou positivamente: caiu para 16% a parcela de estudantes que considera o ensino uma perda de tempo, um recuo de 6,9 pontos percentuais em relação a 2022. A valorização da educação reflete diretamente nos resultados, com alunos que reconhecem a importância da escola apresentando desempenho superior em ciências.

Além disso, o engajamento cívico dos jovens brasileiros chama a atenção. Cerca de 84% dos estudantes acreditam no seu potencial de gerar impactos positivos para o meio ambiente, e 87% confiam na eficácia da ação coletiva. Esses indicadores de cidadania ativa superam as médias observadas em outros países da OCDE, sugerindo uma juventude mais conectada com pautas globais de sustentabilidade.

O Diário Independente segue acompanhando os desdobramentos das políticas educacionais e os impactos dessas avaliações no futuro do ensino no Brasil. Continue conosco para análises aprofundadas e notícias que conectam o cenário nacional aos grandes temas globais.

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