Brasil reduz distância para a OCDE no Pisa 2025 mas nível de aprendizagem segue baixo

PUBLICIDADE

Nenhum anúncio encontrado.

Brasil reduz distância para a OCDE no Pisa 2025 mas nível de aprendizagem segue baixo
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O desempenho dos estudantes brasileiros no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2025 traz um cenário de nuances: embora o país tenha reduzido a distância em relação à média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), esse movimento não reflete, necessariamente, um salto qualitativo na aprendizagem nacional. Especialistas apontam que a aproximação ocorreu, em grande medida, pela estabilidade dos resultados brasileiros frente a um recuo observado nas médias globais da organização nos últimos anos.

O Pisa, que avalia jovens de 15 anos em matemática, leitura e ciências, serve como um termômetro para políticas públicas educacionais. Com os dados de 2025, o Brasil mantém resultados similares aos de 2022, permanecendo abaixo da média da OCDE em todas as disciplinas avaliadas. Em matemática, por exemplo, o país registrou 377 pontos, enquanto a média da OCDE ficou em 469. Considerando que cada 20 pontos equivalem a cerca de um ano letivo, o atraso educacional brasileiro em relação aos países desenvolvidos atinge a marca de 4,6 anos.

O desafio da aprendizagem em escala

Apesar do cenário desafiador, o histórico de longo prazo, comparando 2006 a 2025, indica avanços. A diferença de desempenho em leitura, que era de 102 pontos, caiu para 58. Em ciências e matemática, a redução foi de 36 e 39 pontos, respectivamente. Contudo, especialistas alertam que a estabilidade atual ocorre em um patamar de proficiência ainda muito baixo. Apenas 28% dos estudantes brasileiros atingiram o nível 2 em matemática, considerado o mínimo necessário para a compreensão básica da disciplina.

Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann, destaca que o Brasil ainda não conseguiu produzir ganhos de aprendizagem em escala. “Seguimos com uma parcela muito elevada de estudantes abaixo dos níveis mínimos de proficiência e com desigualdades importantes de desempenho”, afirma. Segundo o especialista, o impacto da pandemia na trajetória escolar dessa geração ainda é um fator determinante que exige políticas contínuas de recomposição das aprendizagens.

Desigualdades e o impacto socioeconômico

A disparidade no aprendizado não é uniforme e reflete as desigualdades estruturais do país. Rodrigo Fulgêncio, 1º vice-presidente da Abraspe, aponta que o abismo entre os estudantes mais favorecidos e os mais vulneráveis é um dos maiores gargalos do sistema. Em ciências, a diferença de desempenho entre esses dois grupos chega a 96 pontos, o que equivale a quase cinco anos de escolaridade. Esse cenário reforça a urgência de transformar a educação em uma prioridade nacional que garanta equidade no acesso ao conhecimento.

Tecnologia e o novo perfil de estudante

Um dado relevante do Pisa 2025 é a mudança na dinâmica das salas de aula. O levantamento mostrou que 81% dos estudantes brasileiros estão em escolas com restrições ao uso de celulares, um salto significativo em relação aos 37% registrados em 2022. A medida busca combater as distrações digitais, que se tornaram um desafio global. A OCDE identificou que a capacidade de leitura profunda e o pensamento crítico têm sido afetados, enquanto o uso de Inteligência Artificial para estudos já é uma realidade para 46% dos alunos.

O debate atual, portanto, ultrapassa a simples presença de tecnologia. “O grande alerta é que ampliar o acesso à informação não garantiu maior aprendizagem”, observa Fulgêncio. O desafio para as escolas brasileiras agora é integrar a tecnologia como ferramenta de suporte ao raciocínio, e não como um substituto para a construção do pensamento crítico e da atenção sustentada.

O Diário Independente segue acompanhando os desdobramentos das políticas educacionais e os impactos desses indicadores na formação das futuras gerações. Continue conosco para análises aprofundadas e o acompanhamento diário dos temas que moldam o futuro do Brasil.

Mais recentes

PUBLICIDADE