Dólar sobe e se aproxima de R$ 5,20 em dia de instabilidade nos mercados globais

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Dólar sobe e se aproxima de R$ 5,20 em dia de instabilidade nos mercados globais
© Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil

O mercado financeiro brasileiro viveu uma quinta-feira (24) de forte tensão, marcada pela aversão ao risco tanto no cenário doméstico quanto no internacional. O dólar comercial encerrou o dia cotado a R$ 5,193, uma alta de 0,47%, aproximando-se da barreira dos R$ 5,20 e atingindo seu maior patamar desde o final de agosto. O movimento reflete um ambiente de incertezas globais que pressiona as moedas de países emergentes.

A valorização da divisa norte-americana acompanhou uma tendência global, impulsionada pela elevação dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os chamados Treasuries. O papel de dez anos superou a marca de 5,22% ao ano, nível não visto desde 2007. Esse cenário torna os investimentos em renda fixa nos Estados Unidos mais atraentes, drenando capital de mercados considerados mais arriscados, como o Brasil.

Intervenção do Banco Central e cenário macroeconômico

Para conter a volatilidade e garantir liquidez ao sistema, o Banco Central interveio no mercado de câmbio realizando a venda de US$ 1 bilhão por meio de dois leilões de linha simultâneos. Essa estratégia visa aumentar a oferta de moeda estrangeira, tentando frear a escalada dos preços. A atuação ocorre em um momento em que o fluxo cambial brasileiro apresenta sinais de fragilidade, com um saldo negativo de US$ 7,078 bilhões acumulado em setembro até o dia 18.

Além das pressões externas, o mercado digeriu novas projeções econômicas divulgadas pela autoridade monetária. A estimativa de crescimento do PIB para 2026 foi revisada para baixo, passando de 2% para 1,8%. Para 2027, a expectativa de expansão da economia foi fixada em 1,4%, evidenciando um horizonte de crescimento mais contido para o país nos próximos anos.

Queda na bolsa e incertezas fiscais

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, não escapou do pessimismo e recuou 0,99%, fechando o pregão em 183.965,91 pontos. O desempenho foi pressionado pela redução da demanda por ativos de risco, um movimento típico em momentos de juros elevados nos Estados Unidos. A cautela dos investidores também se estendeu ao campo fiscal, após o governo atualizar as projeções para as contas públicas.

Embora o governo tenha reduzido a necessidade de contenção de despesas de R$ 17,9 bilhões para R$ 16,1 bilhões, a previsão de déficit efetivo para 2026 foi elevada para R$ 80,9 bilhões. Esse descompasso entre receitas e despesas, somado à instabilidade política observada nas recentes pesquisas eleitorais, contribui para o clima de cautela que domina as mesas de operação.

Petróleo e a pressão inflacionária global

Outro fator determinante para o nervosismo dos mercados foi a disparada dos preços do petróleo. O barril do tipo Brent, referência internacional, subiu 3,41%, sendo negociado a US$ 106,60. A alta é motivada pelas tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã, que geram temores sobre o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma rota vital para o transporte global da commodity.

A valorização do petróleo atua como um multiplicador de riscos inflacionários. Combustíveis mais caros elevam os custos de produção e logística em escala mundial, o que pode forçar bancos centrais ao redor do globo a manterem os juros em patamares restritivos por mais tempo. Esse efeito cascata mantém os investidores em alerta máximo, buscando proteção em ativos mais seguros enquanto aguardam definições sobre o cenário geopolítico e a política monetária americana, conforme detalhado pela Agência Brasil.

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