Uma trajetória marcada pela nostalgia
Para a geração que cresceu sob o comando de Xuxa Meneghel entre 1986 e 1992, o “Xou da Xuxa” não era apenas um programa de televisão, mas um fenômeno cultural que definia as manhãs brasileiras. Entre os personagens que compunham aquele universo lúdico, Roberto Bettini, o inesquecível mosquito Dengue, ocupava um lugar de destaque. Hoje, décadas após o auge da atração, o artista trilha um caminho bem diferente, longe dos palcos e da exposição midiática que o consagrou.
A transição para o anonimato em Cabo Frio
Aos 65 anos, Roberto Bettini trocou o ritmo frenético dos estúdios de televisão pela tranquilidade de Cabo Frio, na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro. Longe das câmeras, ele encontrou um estilo de vida que prioriza a convivência familiar e a paz cotidiana. O ex-artista, que chegou a viver em Rondônia, mudou-se para o litoral fluminense buscando estar mais próximo dos filhos, que buscam carreiras no esporte, e para desfrutar de uma rotina onde o anonimato é a regra.
Em entrevistas recentes, Bettini é enfático ao descrever sua nova realidade: “A fama acabou e está tudo certo”. Para ele, o palco atual é a sua própria casa, onde dedica seu tempo à esposa, aos três filhos e ao neto de quatro anos. O cotidiano, marcado por momentos simples como caminhar de chinelos pelo condomínio, reflete uma escolha consciente de quem não sente falta da carreira artística e encontrou satisfação na vida privada.
Carreira nos bastidores e o legado do Dengue
Embora tenha deixado a frente das câmeras, Roberto Bettini nunca abandonou o mercado do entretenimento. Há mais de 30 anos, ele comanda uma empresa de agenciamento de shows, sendo responsável pela logística de apresentações de grandes nomes da música nacional, como a dupla Jorge e Mateus. Essa transição para o lado corporativo do show business permitiu que ele mantivesse sua conexão com a indústria, mas sob uma perspectiva de gestão e bastidores.
Sobre os anos de ouro na televisão, ele guarda memórias de um período de aprendizado e sucesso, especialmente no mercado internacional. O sucesso do “Xou da Xuxa” na Argentina foi, segundo ele, um dos pontos altos de sua trajetória, chegando a render discos de ouro. Bettini relembra com naturalidade que, na dinâmica do programa, ele e outros coadjuvantes precisavam improvisar constantemente, já que não possuíam roteiros fixos, o que exigia criatividade para se destacar ao lado da apresentadora.
Ausência na turnê e visão sobre o futuro
Com o anúncio da turnê “Xuxa – O Último Voo da Nave”, produzida pela 30e, muitos fãs questionaram a ausência de figuras icônicas do elenco original. Sobre o tema, Bettini mantém uma postura serena e sem ressentimentos. Ele afirma que não houve convite, mas que isso não gera qualquer mágoa ou conflito. O artista reforça sua gratidão pela história construída com Xuxa Meneghel e Marlene Mattos, preferindo focar suas energias em seus projetos atuais e na escrita de sua autobiografia.
A turnê de despedida da apresentadora, que tem seu encerramento previsto para 28 de fevereiro de 2027 no Nubank Parque, em São Paulo, marca o fechamento de um ciclo para toda uma geração. Enquanto o público celebra a nostalgia, Roberto Bettini segue sua trajetória, provando que é possível transitar entre o estrelato e uma vida comum com equilíbrio e serenidade. Continue acompanhando o Diário Independente para mais reportagens sobre os bastidores da cultura e o paradeiro de grandes personalidades que marcaram a história da televisão brasileira.