O consumidor brasileiro tem sentido um impacto significativo no bolso ao buscar por limão nas feiras e supermercados. Mesmo atravessando o período de entressafra, que naturalmente apresenta valores mais elevados, a fruta registra patamares de preço muito acima da média histórica. O cenário, que combina instabilidade climática e redução drástica na oferta, tem transformado o item, antes acessível, em um produto de custo elevado para as famílias.
Impacto climático e a quebra na produção
A raiz do problema reside em uma sucessão de eventos meteorológicos adversos que atingiram o cinturão cítrico paulista, responsável por cerca de 80% da produção nacional. Segundo especialistas do Cepea/Esalq, a volatilidade do limão é uma característica intrínseca da cultura, mas o cenário atual é classificado como precário. O excesso de chuvas registrado no início do ano prejudicou severamente a florada, resultando em uma queda acentuada na quantidade e na qualidade dos frutos colhidos.
As regiões de Matão e Bebedouro, que concentram 68% da área produtiva de limões e limas, foram as mais afetadas. A umidade excessiva e o aumento de dias nublados não apenas dificultaram o processo de colheita, mas também comprometeram o pegamento dos frutos de floradas anteriores, que deveriam garantir o abastecimento durante os meses de setembro e outubro.
Dados revelam escalada nos valores
Levantamentos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) detalham a dimensão da alta. No cinturão cítrico, o preço pago ao produtor pelo limão tahiti saltou de R$ 32,10 por caixa de 27,2 kg em junho para R$ 104,78 em agosto, um aumento acumulado de 226,4%. Em comparação ao mesmo período de 2025, o valor pago ao produtor está 71% mais caro.
Nos grandes centros de distribuição, a situação reflete o desequilíbrio entre oferta e demanda. No Ceagesp, em São Paulo, o preço do quilo subiu de R$ 1,82, no início da entressafra em maio, para R$ 8,62 no pico de setembro — uma variação de 374%. Na CeasaMinas, a alta foi de 240%, com o preço saltando de R$ 2,50 para R$ 8,50 no mesmo período.
Competição de mercado e perspectivas futuras
Além da quebra de safra, o mercado enfrenta a pressão da concorrência entre o consumo interno e as exportações. Cerca de 11% da produção nacional é destinada ao mercado externo, com foco principal na Europa. Somado a isso, o calor intenso registrado em agosto e setembro impulsionou a demanda interna, exacerbando a escassez do produto nas gôndolas.
A expectativa de normalização dos preços está atrelada à chegada da nova safra, prevista para meados de novembro. Embora tenha havido uma leve retração nos preços no Ceagesp na última semana, especialistas alertam que a tendência de estabilidade ainda é incerta. O pesquisador Renato Garcia Ribeiro, do Cepea/Esalq, ressalta que os efeitos das condições climáticas adversas podem se estender para o próximo ano, mantendo o mercado em alerta.
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