Cotação do dólar cai para R$ 4,97 e atinge menor patamar desde maio após eleições

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Cotação do dólar cai para R$ 4,97 e atinge menor patamar desde maio após eleições
© REUTERS/Willy Kurniawan/ Proibido reprodução

O mercado financeiro brasileiro atravessou, nesta terça-feira (6), uma sessão de ajustes após a euforia que tomou conta dos pregões na véspera. O destaque do dia foi o comportamento da moeda americana, que fechou cotada a R$ 4,975, consolidando uma queda de 0,55%. Este patamar marca a primeira vez que o dólar encerra um dia abaixo da barreira dos R$ 5 desde 12 de maio, quando a divisa havia registrado o valor de R$ 4,895.

O movimento reflete uma acomodação dos investidores após a forte volatilidade observada no início da semana. Durante a manhã, a moeda chegou a tocar a mínima de R$ 4,945, uma desvalorização de 1,14% no intradia. Com esse resultado, o dólar amplia sua trajetória de queda em 2026, acumulando uma baixa de 9,37% no ano, reforçada pelo recuo de 4,62% observado apenas nos dois últimos pregões.

Cenário eleitoral e o prêmio de risco

A valorização do real frente ao dólar está diretamente ligada à repercussão do primeiro turno das eleições presidenciais. O mercado financeiro tem interpretado o cenário político como um possível catalisador para mudanças na condução econômica do país. A leitura predominante entre os agentes financeiros é que uma eventual transição de governo poderia reduzir o chamado prêmio de risco dos ativos brasileiros, criando um ambiente mais favorável para a implementação de uma agenda de ajuste fiscal.

Além dos fatores domésticos, o ambiente externo também colaborou para o alívio cambial. O dólar apresentou fraqueza global diante de uma cesta de moedas, perdendo força frente a divisas de outros países emergentes, como o peso mexicano, o rand sul-africano e o peso chileno. O índice DXY, que mede a força da moeda americana contra seis divisas globais, encerrou o dia em queda de 0,31%, aos 101,848 pontos.

Realização de lucros no Ibovespa

Após a disparada de 7,85% registrada na segunda-feira, que levou o índice a renovar recordes históricos, o Ibovespa passou por um movimento natural de realização de lucros nesta terça-feira. O principal indicador da bolsa brasileira encerrou o pregão em queda de 0,52%, aos 205.835,29 pontos. Apesar do recuo, o índice manteve-se confortavelmente acima da marca psicológica dos 200 mil pontos.

O volume financeiro movimentado no dia atingiu R$ 58,06 bilhões, demonstrando que, embora tenha havido uma correção, o interesse dos investidores permanece elevado. No acumulado de outubro, o Ibovespa registra uma alta expressiva de 10,46%, enquanto, no balanço geral de 2026, o ganho chega a 27,75%. Analistas apontam que a oscilação é um comportamento esperado após dias de alta tão acentuada, servindo para estabilizar os preços após a euforia eleitoral.

Estabilidade no mercado de petróleo

Enquanto o mercado financeiro brasileiro lidava com a política local, o setor de commodities observou uma sessão de relativa estabilidade. O petróleo fechou o dia com variações contidas, com o barril do tipo Brent, referência internacional, subindo 0,26% para US$ 100,58. Já o WTI, negociado no Texas, avançou apenas 0,01%, cotado a US$ 89,44.

A cautela dos investidores em relação ao petróleo é explicada pelo equilíbrio entre as tensões geopolíticas no Oriente Médio — envolvendo o transporte pelo Estreito de Ormuz e conflitos no Iêmen — e os sinais de resiliência na oferta global. O governo da Arábia Saudita, por exemplo, confirmou o funcionamento pleno do Oleoduto Leste-Oeste, o que ajudou a conter pressões altistas. Para o futuro, o Departamento de Energia dos Estados Unidos projeta que o preço do Brent se mantenha em patamares elevados, estimando US$ 96 por barril para 2026 e US$ 84 para 2027.

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