Truque com pó translúcido para cílios divide opiniões e acende alerta oftalmológico

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Truque com pó translúcido para cílios divide opiniões e acende alerta oftalmológico
Foto: Reprodução/ Internet

A busca por cílios volumosos e com o chamado “efeito de boneca” levou muitos entusiastas da maquiagem a adotar uma técnica caseira que promete resultados impressionantes sem a necessidade de extensões artificiais. O método consiste em aplicar uma camada de máscara de cílios e, enquanto o produto ainda está úmido, depositar uma pequena quantidade de pó translúcido sobre os fios, selando-os em seguida com uma nova aplicação de rímel.

Embora a estratégia tenha viralizado em redes sociais como uma alternativa prática e acessível para encorpar o olhar, especialistas em saúde ocular reforçam que a região dos olhos é extremamente sensível. O uso de substâncias não formuladas especificamente para contato com a mucosa ocular pode trazer consequências indesejadas, transformando um desejo estético em um problema de saúde.

Mecanismo por trás do volume extremo

A técnica baseia-se na criação de uma estrutura física temporária. Ao aplicar o pó sobre a camada inicial de máscara, o maquiador amador cria uma base que confere espessura extra aos fios. O processo é finalizado com uma segunda camada de rímel, que tem a função de pigmentar novamente o pó e garantir que as partículas fiquem aderidas à estrutura do cílio, proporcionando um aspecto visual mais denso e alongado.

O apelo do truque reside na facilidade de execução e no uso de produtos que, geralmente, já compõem a nécessaire básica de quem se maquia. No entanto, a eficácia estética não anula a necessidade de cautela. A aplicação próxima à linha d’água e aos folículos pilosos exige precisão e, acima de tudo, consciência sobre os componentes químicos dos produtos utilizados.

Riscos e alertas de especialistas

Oftalmologistas alertam que a introdução de micropartículas sólidas na região periocular pode ser perigosa. O pó translúcido, quando solto, pode migrar para dentro do olho, causando irritação mecânica. Entre os riscos mais comuns citados por profissionais da área, destacam-se a possibilidade de arranhões na córnea, que geram dor, vermelhidão e sensibilidade à luz, além de quadros de ceratite.

Além da irritação física, existe o risco de reações alérgicas. Muitos pós faciais contêm fragrâncias ou talco que podem desencadear processos inflamatórios na conjuntiva. Outro ponto crítico é a obstrução das glândulas de Meibomius, localizadas na borda das pálpebras. Essas glândulas são responsáveis pela produção da camada lipídica da lágrima; quando bloqueadas por resíduos de maquiagem, podem levar ao surgimento de terçóis, calázios ou quadros crônicos de blefarite.

Cuidados essenciais para a saúde ocular

Para quem não abre mão de testar técnicas de maquiagem, a recomendação médica é priorizar a higiene. A remoção completa de qualquer resíduo ao final do dia é inegociável. O uso de demaquilantes bifásicos ou óleos de limpeza, como o cleansing oil, é altamente recomendado para garantir que a raiz dos cílios fique livre de partículas que possam causar inflamações durante o sono.

Especialistas sugerem que, caso o usuário opte por seguir com o truque, a aplicação deve ser feita com os olhos fechados, evitando ao máximo que o pó entre em contato direto com o globo ocular. Caso surja qualquer desconforto, como coceira persistente ou sensação de corpo estranho, a prática deve ser imediatamente interrompida e a região lavada com soro fisiológico ou água corrente.

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