Leilão do pré-sal garante R$ 530 milhões com sete blocos arrematados no Rio

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Leilão do pré-sal garante R$ 530 milhões com sete blocos arrematados no Rio
© Tomaz Silva/Agência Brasil

O setor de óleo e gás brasileiro movimentou o mercado nesta quarta-feira (7) durante a realização do 4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha de Produção. O evento, conduzido pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em sua sede no centro do Rio de Janeiro, resultou no arremate de sete dos 13 blocos ofertados. A operação garantiu aos cofres públicos um total de R$ 530 milhões em bônus de assinatura.

Dinâmica do leilão e resultados das petroleiras

Embora 19 companhias estivessem habilitadas para o certame, a disputa foi marcada por uma baixa competitividade direta. Em todos os sete blocos negociados, houve a apresentação de apenas uma proposta por área. Apesar da ausência de lances concorrentes no momento da sessão, todos os ativos foram adquiridos com ágio, que oscilou entre 8% e 495%, atingindo uma média de 108,38%.

Entre as empresas que garantiram áreas nas bacias de Santos e Campos, destacam-se a Petrobras e a Prio, cada uma levando dois blocos. A norueguesa Equinor também assegurou duas áreas, sendo uma delas em parceria com a portuguesa Galp. O consórcio formado pelas chinesas CNOOC e Sinopec completou a lista de vencedoras. Para viabilizar a exploração, as companhias assumiram o compromisso de investir, no mínimo, R$ 778,4 milhões nas regiões arrematadas.

Expansão da fronteira exploratória no pré-sal

O resultado consolidado desta rodada representa um marco para a exploração sob o regime de partilha. Com a inclusão das novas áreas, a superfície exploratória cresceu 58%, totalizando 39,2 mil km². O diretor-geral da ANP, Artur Watt Neto, reforçou a importância estratégica do pré-sal, classificando-o como uma das fronteiras exploratórias mais relevantes do cenário global. Atualmente, a região é o motor da produção nacional, sendo responsável por 82,6% da extração de petróleo e gás em setembro.

Os seis blocos que não receberam ofertas — Turmalina, Larimar, Aragonita, Opala, Granada e Cerussita — permanecem disponíveis para futuras rodadas de licitação. A previsão é que a assinatura dos contratos para os blocos arrematados ocorra em 26 de fevereiro de 2027, após o cumprimento de todas as etapas documentais e financeiras.

Controvérsias e o debate socioambiental

A realização do leilão não ocorreu sem resistência. Enquanto entidades como o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) e o Ineep defendem a importância da exploração para a segurança energética e a geração de empregos, o setor enfrenta críticas de organizações ambientais. O Instituto Arayara, por exemplo, buscou impedir o certame na Justiça Federal, apontando riscos de sobreposição das áreas de exploração com territórios indígenas, quilombolas e zonas de pesca artesanal.

Manifestações foram registradas em frente à sede da ANP durante o evento, refletindo o embate entre a necessidade de expansão da produção de combustíveis fósseis e a preservação ambiental. O governo federal, por meio do Ministério de Minas e Energia e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, manteve o cronograma, destacando que o modelo de partilha garante ao Estado uma parcela do lucro excedente da produção.

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