Em um movimento estratégico de campanha, o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), declarou nesta sexta-feira (9) que o combate ao crime organizado será uma das prioridades de um eventual governo. A declaração foi feita na Ilha Itanhangá, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, durante um evento que reuniu apoiadores e lideranças políticas locais.
Ao lado do deputado estadual Douglas Ruas (PL-RJ), recém-vencedor da disputa pelo governo fluminense, o candidato subiu o tom contra facções criminosas. O discurso focou diretamente em grupos como o Comando Vermelho, o PCC e milícias, classificando a atuação dessas organizações como uma ameaça que exige uma resposta firme do Estado brasileiro em âmbito nacional.
Estratégia de segurança e combate ao crime organizado
A pauta da segurança pública tem sido central no debate eleitoral, especialmente no Rio de Janeiro, estado que enfrenta desafios históricos com a violência urbana. Flávio Bolsonaro reforçou a necessidade de uma atuação integrada entre as forças de segurança para desarticular as estruturas financeiras e operacionais do crime organizado. A aliança com o governador eleito Douglas Ruas busca sinalizar uma coordenação mais estreita entre a esfera federal e a estadual no enfrentamento direto à criminalidade.
O candidato aproveitou a ocasião para desmentir especulações sobre a privatização da Petrobras, classificando as informações como boatos. No campo econômico, ele criticou a atual política de subsídios ao diesel, argumentando que a manutenção dos incentivos, pressionada pelo cenário de instabilidade no Irã, poderia resultar em um aumento abrupto nos preços dos combustíveis logo após o encerramento do processo eleitoral.
Manutenção de programas sociais e promessas de campanha
Durante o evento, Flávio Bolsonaro buscou dissipar preocupações sobre a continuidade de políticas de assistência social. O candidato negou categoricamente que pretenda extinguir o Bolsa Família, assegurando que o programa será mantido e otimizado. Segundo ele, a proposta é transformar o auxílio em um instrumento de mobilidade social, integrando o repasse de renda a programas de capacitação e qualificação profissional para os beneficiários.
Outra promessa apresentada foi a ampliação do programa Farmácia Popular. O senador propôs a implementação de um sistema de entrega domiciliar de medicamentos, com suporte tecnológico para envio de lembretes via celular sobre os horários das doses. A proposta surge em um momento em que o histórico de cortes orçamentários no setor é alvo de questionamentos. Dados do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2023, enviado ao Congresso em 2022, indicaram uma redução de 59% nos recursos destinados ao programa, passando de R$ 2,04 bilhões para R$ 804 milhões, o que gerou críticas sobre a viabilidade de expansão da rede.
Além das pautas de assistência, o candidato destacou que seu plano de governo foca no incentivo ao empreendedorismo feminino, na redução da carga tributária e na oferta de crédito mais acessível. O objetivo, segundo o senador, é estruturar uma economia baseada na produtividade. O candidato também agradeceu formalmente o apoio de Augusto Cury (Avante), que declarou adesão à sua campanha na véspera, e afirmou estar em negociações com outras legendas para fortalecer sua base política.
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