A Polícia Federal (PF) emitiu uma nota oficial nesta sexta-feira (9 de outubro de 2026) para desmentir categoricamente a existência de um depoimento atribuído ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A manifestação da corporação ocorre após a publicação de uma reportagem pela revista Veja, que afirmava que Vorcaro teria relatado o repasse de recursos financeiros para a produção de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que concorre à reeleição.
O caso ganha contornos de urgência devido ao calendário eleitoral, uma vez que o país se encontra a apenas 16 dias do segundo turno das eleições presidenciais. A celeridade da resposta institucional da PF busca preservar a integridade do processo democrático e evitar que informações sem lastro documental influenciem o eleitorado de forma indevida.
Nota oficial contesta informações publicadas em revista
Em comunicado direto, a Polícia Federal esclareceu que Daniel Vorcaro não prestou qualquer depoimento com o teor relatado pela publicação. Segundo a instituição, não houve a entrega de anexos, documentos ou qualquer tipo de informação que corroborasse a tese de financiamento de obras cinematográficas ligadas ao atual presidente da República.
A defesa de Vorcaro, representada pelo advogado Daniel Bialski, também se manifestou sobre o episódio. Em declaração à imprensa, Bialski afirmou não ter conhecimento de tal financiamento e ressaltou que, embora não estivesse à frente da defesa do ex-banqueiro no momento em que propostas de colaboração foram inicialmente apresentadas, garante que não houve novos depoimentos à PF ou a outros órgãos sobre este tema específico.
O advogado reforçou ainda que nunca teve acesso a documentos que comprovassem o suposto repasse financeiro mencionado pela revista. A ausência de provas materiais e a negativa oficial da corporação responsável pelas investigações colocam em xeque a veracidade da narrativa apresentada pela reportagem.
AGU solicita direito de resposta e aponta ofensa a autoridades
Diante da gravidade das alegações, a Advocacia-Geral da União (AGU) anunciou que tomará medidas legais contra a revista Veja. O órgão pretende solicitar o direito de resposta e a correção imediata das informações divulgadas, classificando-as como inverídicas e gravemente ofensivas às autoridades federais mencionadas.
A AGU argumenta que a disseminação de conteúdos sem comprovação factual, especialmente em um período de alta sensibilidade política, pode causar danos irreparáveis à imagem das instituições e dos gestores públicos. A ação busca restabelecer a verdade dos fatos no mesmo espaço e com o mesmo destaque dado à notícia original.
Suspeita de manipulação por inteligência artificial em período eleitoral
O grupo Prerrogativas, composto por juristas e advogados, elevou o tom das críticas e solicitou que a Polícia Federal realize uma perícia técnica em um áudio divulgado pela mesma revista. No material, o ex-banqueiro supostamente implicaria o presidente Lula em irregularidades. No entanto, os juristas apontam indícios de fraude tecnológica.
De acordo com a nota emitida pelo grupo, há suspeitas fundamentadas de que a gravação tenha sido adulterada por meio de montagens ou pelo uso de ferramentas de inteligência artificial (deepfakes). O objetivo da manipulação seria interferir diretamente no resultado do segundo turno das eleições. O Prerrogativas destaca os seguintes pontos de preocupação:
- Inexistência de informações sobre a data e o local da gravação original;
- Falta de clareza sobre as circunstâncias em que o áudio foi obtido;
- Possibilidade de síntese de voz para criar diálogos inexistentes;
- Potencial de fraude processual e delitos eleitorais graves.
Caso a perícia comprove que o áudio foi forjado, os responsáveis pela produção e divulgação do material poderão responder criminalmente por crimes eleitorais e disseminação de desinformação deliberada.
O contraste com as investigações do projeto Dark Horse
O nome de Daniel Vorcaro já havia surgido em investigações recentes, mas em um contexto diferente. O episódio atual guarda semelhanças superficiais com o caso do filme Dark Horse, que envolveu o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. Naquela ocasião, no entanto, a existência de negociações financeiras foi comprovada por provas robustas.
Diferente do rumor envolvendo Lula, o financiamento solicitado por Flávio Bolsonaro a Vorcaro foi confirmado por um áudio cuja veracidade foi admitida pelo próprio senador. Na gravação, revelada pelo site Intercept, o parlamentar pedia recursos para custear a produção de um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo as investigações da PF, Flávio teria solicitado R$ 131 milhões a Vorcaro para o projeto, dos quais cerca de R$ 60 milhões teriam sido efetivamente pagos. O senador justificava o pedido pela necessidade de evitar atrasos nos pagamentos de atores internacionais, como Jim Caviezel. A Polícia Federal utiliza esse histórico para diferenciar o que é fato investigado e comprovado do que, até o momento, carece de qualquer evidência no caso envolvendo o atual presidente.
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