A coalizão Vida em Conta, iniciativa que reúne cerca de 140 economistas e 70 organizações da sociedade civil, apresentou o documento intitulado 10 Propostas para um Novo Ciclo de Desenvolvimento no Brasil. O material busca transformar diretrizes voltadas para a justiça social e ambiental em compromissos práticos para a próxima gestão federal.
A entrega do documento aos candidatos à presidência da República ocorre em um momento de avaliação dos desafios estruturais do país. Embora o texto reconheça avanços econômicos e sociais recentes, ele enfatiza que persistem barreiras ligadas a desigualdades profundas, riscos climáticos e dependência tecnológica.
Desenvolvimento e combate às desigualdades
O conjunto de propostas coloca a redução das disparidades sociais no centro das decisões econômicas. Entre as medidas sugeridas está a criação de uma estratégia permanente com metas voltadas para renda, riqueza, gênero, raça e território.
Especialistas que integram a coalizão apontam que a superação desses desequilíbrios exige planejamento de longo prazo e fortalecimento da capacidade de investimento do Estado. A proposta defende que a ampliação de serviços essenciais e a geração de empregos qualificados são fundamentais para o crescimento sustentável.
Infraestrutura urbana e mobilidade
Outro ponto de destaque no documento é a criação de um Fundo Nacional de Mobilidade Urbana. O objetivo é viabilizar a implantação progressiva da tarifa zero no transporte coletivo, com foco na integração entre periferias e centros urbanos.
Para financiar a medida, o texto sugere adaptar o modelo do vale-transporte, transformando-o em uma contribuição vinculada à folha salarial recolhida pelos empregadores. A iniciativa busca priorizar sistemas de transporte de baixa emissão e reduzir o custo de vida nas metrópoles.
Política fiscal e transição climática
As propostas econômicas também abordam a reforma tributária e a sustentabilidade ambiental. O documento defende a elevação da alíquota mínima efetiva do imposto de renda para os estratos de maior renda, além da revisão de subsídios direcionados a combustíveis fósseis.
Esses recursos seriam redirecionados para apoiar a adaptação climática em áreas urbanas vulneráveis e incentivar uma política industrial de baixo carbono. A estratégia inclui contrapartidas ligadas à geração de empregos e à transparência na gestão de recursos públicos.
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