Governo chama bancos para terceira etapa do programa Desenrola dedicada a dívidas antigas

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Governo chama bancos para terceira etapa do programa Desenrola dedicada a dívidas antigas
© Marcello Casal JrAgência Brasil

As instituições financeiras ganharam um prazo de cinco dias úteis para informar ao governo as dívidas que pretendem disponibilizar para renegociação no âmbito da nova etapa do programa federal. A medida foi formalizada por meio de uma edição extraordinária do Diário Oficial da União, que trouxe o edital de chamamento publicado pelo Ministério da Fazenda para dar andamento ao processo.

Essa fase inicial é voltada exclusivamente para a organização dos credores e não representa, neste momento, uma convocação para que os consumidores busquem os bancos para quitar pendências. O procedimento serve para mensurar o volume de débitos elegíveis e avaliar o interesse do setor privado em negociar carteiras de crédito com a União, estabelecendo as bases para as etapas seguintes do cronograma estabelecido pelo governo.

Regras de participação para bancos e fundos

O chamamento público é direcionado a bancos, instituições financeiras e fundos de investimento em direitos creditórios. Para integrar o processo, os credores precisam selecionar carteiras que se enquadrem rigorosamente nos critérios estabelecidos pelo programa, aceitando os patamares mínimos de desconto exigidos para a venda dos ativos financeiros ao poder público.

A dinâmica operacional foi estruturada para ocorrer em momentos definidos, começando pela publicação do edital e seguida pela entrega das informações sobre os débitos elegíveis. Com esses dados em mãos, a equipe econômica fará a análise do volume apresentado, segmentando as informações por faixas de renda antes de avançar para a realização do leilão, que está previsto para o mês de novembro, com eventual margem para o início de dezembro.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou anteriormente que a modelagem busca priorizar devedores de menor renda e microempreendedores individuais. No entanto, caso o volume de débitos desse público fique abaixo da projeção inicial, o edital prevê a possibilidade de absorção de dívidas ligadas a faixas de renda mais elevadas.

Projeção de valores e custos para a União

As expectativas econômicas para esta edição indicam um volume expressivo de ativos disponíveis no mercado. O governo estima que os credores possam apresentar até R$ 90 bilhões em dívidas antigas durante esta fase de habilitação, refletindo o montante acumulado em carteiras de crédito que se encaixam no perfil traçado pelas normativas vigentes.

Como o desenho da iniciativa exige um deságio mínimo de 90% sobre o valor nominal dos créditos, o impacto fiscal máximo para a aquisição da totalidade desse montante estimado seria de até R$ 9 bilhões. A estratégia da equipe econômica consiste em estimular a concorrência entre os participantes, o que pode elevar os descontos exigidos para patamares entre 93% e 95%, reduzindo o desembolso efetivo dos cofres públicos.

Critérios para inclusão de débitos

A terceira versão do programa foi instituída por meio de medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em setembro, criando um mecanismo inédito baseado na compra direta de carteiras de crédito pela União. O objetivo central é limpar o histórico financeiro de cidadãos e pequenos empresários através de descontos expressivos.

Para constar nos lotes apresentados pelas instituições, as dívidas precisam cumprir requisitos específicos estabelecidos na regulamentação oficial:

  • Dívidas com valor original de até R$ 10 mil;
  • Atrasos acumulados entre 720 e 1.645 dias;
  • Operações de cartão de crédito nas modalidades rotativa e parcelada;
  • Crédito pessoal sem consignação em folha para pessoas físicas e microempreendedores individuais.

Embora a avaliação preliminar feita no lançamento da medida tenha apontado um universo potencial de até R$ 150 bilhões em débitos elegíveis em todo o país, a chamada atual foca na parcela que os credores efetivamente desejam negociar por meio dos leilões organizados pelo governo federal.

Próximos passos na renegociação

Após a conclusão do leilão e a aquisição das carteiras pela União, as dívidas serão disponibilizadas para renegociação direta com os consumidores, repassando os descontos obtidos na compra dos ativos. Os interessados poderão optar pela quitação à vista ou pelo parcelamento do saldo remanescente, modalidade que incluirá a incidência de encargos financeiros.

Os parâmetros definitivos, prazos e taxas aplicáveis ainda dependem de diretrizes complementares a serem aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional. Enquanto o processo regulatório avança, o Diário Independente segue acompanhando os desdobramentos econômicos e as repercussões das medidas governamentais para manter você sempre bem informado sobre os temas que impactam a sua vida financeira.

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