O município de Sorriso, no norte de Mato Grosso, viu seu posto de “capital do agronegócio” ser desafiado por uma reconfiguração geográfica inédita. Conhecida nacionalmente por sua força no campo, a cidade perdeu a liderança do ranking de valor da produção agrícola brasileira, conforme aponta a pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM), divulgada nesta quinta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A perda da primeira posição não reflete apenas uma queda de produtividade, mas uma alteração estrutural no mapa mato-grossense. A emancipação de Boa Esperança do Norte, que absorveu territórios anteriormente pertencentes a Sorriso, reduziu a área plantada do município em 9,3%, impactando diretamente o volume de culturas estratégicas como soja, algodão e feijão.
Impacto da reconfiguração territorial no campo
A criação de Boa Esperança do Norte foi o fator determinante para a mudança no topo da lista. O novo município, que teve sua instalação oficial em 1º de janeiro de 2025, é fruto de um longo processo jurídico que se arrastava desde o ano 2000. Após decisões do Tribunal de Justiça de Mato Grosso e uma resolução definitiva do Supremo Tribunal Federal (STF) em outubro de 2023, a nova cidade passou a integrar o mapa oficial, desmembrando áreas produtivas que antes compunham o território de Sorriso e Nova Ubiratã.
Embora Sorriso tenha registrado um valor de produção de R$ 8,16 bilhões em 2025 — um crescimento nominal em relação aos R$ 7,2 bilhões de 2024 —, o montante não foi suficiente para manter a liderança. A nova configuração administrativa redistribuiu o potencial produtivo da região, permitindo que outros municípios escalassem posições no ranking nacional.
Ascensão de Sapezal e São Desidério
O posto de maior produtor agrícola do Brasil agora pertence a Sapezal, também em Mato Grosso. O município apresentou um crescimento expressivo de 46,6% no valor da produção, alcançando R$ 8,59 bilhões. O desempenho foi impulsionado majoritariamente pelo algodão herbáceo, que sozinho representou R$ 5,13 bilhões, além de avanços significativos nos valores de soja e milho.
Na segunda colocação aparece São Desidério, na Bahia, com R$ 8,22 bilhões. O município baiano também registrou um salto de 23,7% no valor da produção em comparação ao ano anterior. O cenário nacional, que movimentou R$ 927,2 bilhões em 2025, demonstra uma dinâmica de mercado aquecida, com alta de 18,4% frente a 2024, impulsionada pela combinação entre volume físico e variações de preços.
Domínio mato-grossense no cenário nacional
Apesar da mudança na liderança, o estado de Mato Grosso consolida sua hegemonia no agronegócio brasileiro. Com um valor total de produção de R$ 165,6 bilhões, o estado abriga cinco das dez cidades com maior valor agrícola do país. A lista dos dez maiores produtores é composta majoritariamente por municípios mato-grossenses, além de representantes importantes da Bahia e de Goiás.
A liderança de Sapezal, com sua forte especialização em algodão, e a resiliência de Sorriso, que mesmo após a perda territorial permanece no pódio, reforçam a importância estratégica da região Centro-Oeste para a balança comercial brasileira. O monitoramento contínuo desses dados pelo IBGE é essencial para compreender como as decisões políticas e administrativas, como a criação de novos municípios, influenciam diretamente a economia do setor.
O Diário Independente segue acompanhando os desdobramentos da produção agrícola nacional e os impactos das mudanças territoriais no desenvolvimento dos municípios brasileiros. Continue conosco para se manter informado com análises aprofundadas, dados oficiais e o contexto que move o Brasil.