Desenrola 3.0: governo federal muda estratégia e passa a comprar dívidas de inadimplentes

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Desenrola 3.0: governo federal muda estratégia e passa a comprar dívidas de inadimplentes
© Marcello Casal JrAgência Brasil

O governo federal oficializou, nesta sexta-feira (25), o lançamento da terceira fase do programa de renegociação de débitos, o Desenrola 3.0. A nova etapa, instituída por meio de medida provisória, marca uma mudança estrutural na política de combate à inadimplência no país. Diferente das edições anteriores, que dependiam de acordos diretos entre credores e devedores, a União passará a atuar como compradora de carteiras de dívidas em leilões, repassando integralmente os descontos obtidos aos cidadãos.

A medida busca atacar um estoque expressivo de débitos que, até agosto de 2026, somava R$ 592 bilhões em todo o território nacional. Com a nova dinâmica, a expectativa do Ministério da Fazenda é que até 15 milhões de pessoas sejam beneficiadas, com um volume de dívidas elegíveis que pode chegar a R$ 150 bilhões. A iniciativa reforça a tentativa do poder público de limpar o nome de milhões de brasileiros e estimular a retomada do consumo e da saúde financeira das famílias.

Mecânica dos leilões e o papel da União

O funcionamento do Desenrola 3.0 baseia-se na compra de carteiras de dívidas por meio de leilões públicos. Nesse modelo, os credores apresentam propostas de desconto, e as ofertas que oferecerem o maior deságio são selecionadas pela União. O diferencial desta fase é que o desconto obtido pelo governo na aquisição desses títulos é transferido diretamente ao devedor, reduzindo drasticamente o valor final a ser pago para a quitação.

O governo estabeleceu um deságio mínimo de 90% para os leilões. Na prática, isso significa que uma dívida original de R$ 10 mil poderia ser reduzida para R$ 1 mil. Após a compra, o consumidor terá a opção de quitar o saldo à vista ou optar por um parcelamento, cujas condições específicas ainda serão detalhadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Critérios de elegibilidade e público-alvo

Para ser contemplado pela nova fase, o débito deve respeitar parâmetros rígidos de tempo e valor. O programa foca em dívidas bancárias e não bancárias — como contas de luz, água e varejo — que possuam valor original de até R$ 10 mil. Além disso, o período de inadimplência deve estar compreendido entre 720 e 1.645 dias, contados a partir de 25 de setembro de 2026.

O Ministério da Fazenda ressalta que poderá definir critérios adicionais de renda e priorização para o atendimento. A estratégia visa organizar o mercado de crédito, separando as carteiras em lotes conforme a natureza da dívida, o que facilita a operação logística dos leilões previstos para ocorrerem entre o final de 2026 e o início de 2027.

Cronograma de implementação e impacto social

O cronograma oficial estabelece que o chamamento para as propostas ocorra em novembro de 2026, com a entrega dos documentos pelos credores em dezembro. A homologação dos vencedores está prevista para janeiro de 2027, sendo que o início efetivo da renegociação, com o repasse dos descontos aos consumidores, deve ocorrer a partir de fevereiro de 2027. Os recursos necessários para a operação serão alocados nos orçamentos de 2027 e 2028.

O cenário que motivou a criação do programa é preocupante: dados indicam que 83,9 milhões de brasileiros estavam negativados em agosto de 2026, com uma média de quatro dívidas por pessoa. Mulheres representam 56% desse contingente, e mais da metade do estoque total de dívidas não está vinculada ao sistema bancário tradicional. O sucesso das fases anteriores, que atenderam cerca de 25 milhões de pessoas, serve como base para a expectativa de que a nova estratégia de compra de dívidas traga um alívio mais efetivo para a economia doméstica.

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