Valores esquecidos em bancos atingem R$ 5,8 bilhões e exigem atenção contra golpes ao consultar

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Valores esquecidos em bancos atingem R$ 5,8 bilhões e exigem atenção contra golpes ao consultar
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O montante de recursos financeiros esquecidos por brasileiros em instituições bancárias voltou a registrar alta. Dados atualizados pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (13) revelam que o saldo total disponível para resgate atingiu a marca de R$ 5,79 bilhões até agosto de 2026. O valor representa um incremento de 2,6% frente aos R$ 5,65 bilhões contabilizados no mês anterior, interrompendo uma trajetória de queda observada após a utilização de parte desses ativos pelo governo federal.

Perfil dos beneficiários e distribuição dos valores

A maior fatia desse montante bilionário está concentrada nas mãos de pessoas físicas. Segundo o Banco Central, R$ 4,31 bilhões pertencem a cerca de 23,94 milhões de cidadãos. O restante, R$ 1,48 bilhão, é de titularidade de 2,36 milhões de empresas que, por diversos motivos, deixaram valores parados em contas ou operações financeiras encerradas. Embora o total impressione, a realidade da maioria dos correntistas é de quantias modestas: 69,4% dos beneficiários possuem direito a resgatar valores de até R$ 10.

A distribuição geográfica e institucional desses recursos mostra que os bancos tradicionais detêm a maior parte do capital, com R$ 2,46 bilhões, seguidos pelas administradoras de consórcios, que somam R$ 1,97 bilhão. Cooperativas de crédito, instituições de pagamento e corretoras completam a lista de custodiantes. A origem desses valores é variada, englobando desde contas correntes ou poupanças encerradas com saldo positivo até tarifas cobradas indevidamente e sobras líquidas de cooperativas.

Como realizar a consulta e o resgate com segurança

Para verificar a existência de valores, o único canal oficial é o Sistema Valores a Receber. O procedimento exige apenas o CPF e a data de nascimento para pessoas físicas, ou os dados da empresa para pessoas jurídicas. Para efetuar o resgate, o usuário deve possuir uma conta Gov.br de nível prata ou ouro, garantindo maior segurança na transação. Após a solicitação, o prazo para que o dinheiro seja transferido via Pix é de até 12 dias úteis.

O Banco Central reforça um alerta constante: o serviço é totalmente gratuito. Não existe a necessidade de pagar intermediários ou realizar depósitos antecipados para liberar o montante. O órgão não envia links por SMS, e-mail ou aplicativos de mensagens e não solicita dados pessoais para confirmar o saldo. Em casos de falecimento do titular, o processo de resgate deve ser conduzido por herdeiros ou representantes legais, seguindo as diretrizes específicas da instituição financeira onde o valor está custodiado.

Impacto fiscal e investigações no TCU

O volume de recursos esquecidos ganhou contornos políticos em maio, quando o governo federal utilizou parte desse montante para financiar o programa Desenrola 2.0. Na ocasião, cerca de R$ 5,7 bilhões foram transferidos para o Fundo de Garantia de Operações (FGO), com o objetivo de oferecer garantias a bancos em renegociações de dívidas. O governo assegurou que 10% desse saldo foi segregado para garantir o pagamento de eventuais pedidos de resgate por parte dos titulares.

A manobra, contudo, entrou no radar do Tribunal de Contas da União (TCU). A corte investiga se o uso desses recursos fora do Orçamento da União fere princípios fiscais, uma vez que a movimentação contorna limites de gastos públicos. A discussão central gira em torno da transparência e do impacto que a inclusão formal desses valores teria sobre o bloqueio de outras despesas discricionárias do governo, mantendo o tema sob constante monitoramento dos órgãos de controle.

O Diário Independente segue acompanhando os desdobramentos sobre o uso de recursos públicos e as atualizações do Banco Central. Continue conosco para se manter informado sobre economia, política e os temas que impactam diretamente o seu bolso e o cenário nacional.

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