Dólar retoma patamar de R$ 5 em dia de ajuste no mercado financeiro brasileiro

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Dólar retoma patamar de R$ 5 em dia de ajuste no mercado financeiro brasileiro
© Valter Campanato/Agência Brasil

Após um período de euforia que marcou o cenário financeiro nacional logo após o primeiro turno das eleições, o mercado brasileiro passou por uma sessão de correção nesta quarta-feira (7). O dólar voltou a ultrapassar a marca de R$ 5, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores, registrou recuo, refletindo um movimento de cautela que se estendeu por diversas praças globais.

Pressão externa e o retorno do dólar ao patamar de R$ 5

O dólar à vista encerrou o dia com alta de 0,83%, cotado a R$ 5,016, após ter atingido a máxima de R$ 5,017 durante a reta final das negociações. Este movimento interrompeu uma sequência de dois pregões de queda, nos quais a moeda norte-americana havia acumulado uma baixa de 4,65%. Apesar da alta recente, o balanço semanal ainda aponta uma desvalorização de 3,94% para a divisa.

A valorização da moeda americana não é um fenômeno isolado no Brasil. O índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis moedas globais, apresentou alta de 0,36%, atingindo 102,280 pontos. Esse fortalecimento global do dólar é impulsionado, em grande parte, pela trajetória dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os chamados Treasuries. A taxa dos papéis de dez anos chegou a 5,36%, o maior nível registrado em 24 anos, antes de estabilizar em 5,28%.

Impacto da política monetária dos Estados Unidos

O comportamento dos juros em economias avançadas exerce uma pressão direta sobre países emergentes, como o Brasil. Quando as taxas de retorno nos Estados Unidos sobem, investidores tendem a retirar recursos de mercados considerados de maior risco para buscar a segurança e a rentabilidade dos títulos americanos. Esse movimento de fuga de capital pressiona a cotação do dólar e retira liquidez da bolsa local.

Nesse contexto, o mercado acompanhou com atenção a divulgação da ata da reunião de setembro do Federal Reserve (Fed). O documento revelou divergências entre os dirigentes do banco central americano sobre os fundamentos para a elevação dos juros, mas deixou claro que o controle da inflação permanece como o foco central da autoridade monetária. A taxa básica nos Estados Unidos encontra-se atualmente na faixa de 3,75% a 4%.

Desempenho da bolsa e o cenário das commodities

O Ibovespa encerrou o pregão em queda de 0,74%, aos 204.302,33 pontos, após oscilar entre a mínima de 204.176,12 pontos e a máxima de 206.877,47 pontos. O volume financeiro movimentado no dia somou R$ 57,2 bilhões. Apesar da retração, o índice mantém um desempenho positivo no longo prazo, com alta de 9,64% no mês e um avanço expressivo de 26,8% ao longo de 2026.

Além da volatilidade financeira, o mercado monitorou de perto o preço das commodities. O petróleo do tipo Brent para dezembro manteve-se acima de US$ 100 por barril. A persistência desse patamar de preço é atribuída, em parte, às novas tensões geopolíticas no Oriente Médio, que geram incertezas sobre a oferta global da energia. O cenário externo, marcado por bolsas no campo negativo — incluindo o S&P 500, que caiu 0,22% — reforçou a postura defensiva dos investidores nesta quarta-feira.

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