Dólar sobe para R$ 5,22 em dia de tensão geopolítica e alta do petróleo

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Dólar sobe para R$ 5,22 em dia de tensão geopolítica e alta do petróleo
© Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil

O mercado financeiro brasileiro reagiu com cautela nesta quinta-feira (1º), refletindo o clima de instabilidade global. O dólar comercial encerrou o dia cotado a R$ 5,224, uma alta de 0,97% em relação à sessão anterior. O movimento de valorização da moeda americana foi impulsionado pela aversão ao risco no cenário internacional, agravada por tensões crescentes no Oriente Médio e pela disparada nos preços das commodities energéticas.

Enquanto a divisa americana ganhava força, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, conseguiu sustentar um desempenho positivo, fechando em alta de 0,46%, aos 187.197,46 pontos. O resultado foi sustentado, em grande medida, pelo desempenho das ações da Petrobras, que reagiram positivamente à valorização expressiva do petróleo no mercado externo.

Geopolítica e pressão sobre o dólar

A valorização do dólar não foi um fenômeno isolado no Brasil. O índice DXY, que compara a moeda dos Estados Unidos a uma cesta de seis divisas globais, avançou 0,58%, atingindo 102,040 pontos. A busca por ativos considerados mais seguros, como o dólar e os títulos do Tesouro norte-americano, reflete o temor dos investidores diante da escalada do conflito no Oriente Médio.

O mercado monitora de perto o deslocamento de forças militares dos Estados Unidos para a região e as incertezas envolvendo o Irã. Esse cenário de incerteza geopolítica tende a pressionar a inflação global, uma vez que a instabilidade no fornecimento de energia afeta diretamente os custos de produção e logística em diversas economias, incluindo a brasileira.

Petróleo como motor da bolsa

O setor de energia foi o grande protagonista do pregão. O petróleo tipo Brent, referência internacional, registrou alta de 4,37%, alcançando US$ 102,31 o barril. Já o petróleo WTI, do Texas, subiu 2,71%, cotado a US$ 92,87. A alta foi catalisada por preocupações com a oferta global de combustíveis, exacerbadas pela decisão da China de suspender exportações de derivados para destinos fora de Hong Kong e Macau.

Para a bolsa brasileira, a alta do petróleo atua como um contrapeso importante. Mesmo com a cautela dos investidores diante da proximidade do primeiro turno das eleições, o peso das ações da Petrobras no Ibovespa garantiu que o índice terminasse o dia no campo positivo. O volume financeiro movimentado na sessão atingiu R$ 26 bilhões, evidenciando que, apesar da volatilidade, o fluxo de capitais permanece ativo.

Cenário doméstico e perspectivas

Além das pressões externas, o mercado local segue atento aos indicadores econômicos internos. Recentemente, o mercado financeiro revisou para cima a projeção de inflação, que agora se aproxima de 5%, enquanto as estimativas para o crescimento do PIB foram ajustadas para baixo. Esse cenário de juros e inflação desafiadores exige atenção redobrada dos investidores.

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