A teledramaturgia brasileira celebra, nesta segunda-feira, 5 de outubro de 2026, o retorno de um de seus maiores marcos históricos. Roque Santeiro, a icônica obra de Dias Gomes e Aguinaldo Silva, volta à grade da Globo na faixa Edição Especial, logo após o Jornal Hoje. A produção, que substitui Além do Tempo, transporta o público de volta ao fictício vilarejo de Asa Branca, onde a política, a fé e o mito se misturam em uma sátira social que permanece atual quatro décadas após sua estreia original.
Embora o retorno da novela desperte um forte sentimento de nostalgia, a ocasião também serve como um momento de homenagem. Ao longo dos anos, o elenco estelar que deu vida a personagens inesquecíveis sofreu perdas irreparáveis. Dez grandes nomes da formação principal da trama já nos deixaram, deixando um legado que permanece vivo na memória afetiva dos brasileiros e na história da televisão nacional.
Atores que marcaram época em Asa Branca
O protagonista absoluto da trama, José Wilker, que interpretou o enigmático artesão Roque Santeiro, faleceu em 2014, aos 66 anos, vítima de um infarto fulminante. Sua atuação como o suposto mártir que retorna à cidade após 17 anos é considerada um dos pontos altos da dramaturgia brasileira. Outra perda sentida foi a de Armando Bógus, o inesquecível Zé das Medalhas, vilão comercial que explorava a fé alheia. O ator nos deixou em 1993, aos 63 anos, durante um tratamento contra a leucemia.
A estrutura religiosa de Asa Branca também perdeu seus pilares. Paulo Gracindo, o conservador Padre Hipólito, faleceu em setembro de 1995, aos 84 anos, devido a complicações de um câncer de próstata. Já Cláudio Cavalcanti, que deu vida ao progressista Padre Albano, partiu em setembro de 2013, aos 73 anos, após complicações decorrentes de uma cirurgia cardíaca.
Ícones da comédia e do drama
O núcleo cômico e dramático da novela também perdeu talentos que definiram o tom da obra. Eloísa Mafalda, a moralista Dona Pombinha Abelha, faleceu em maio de 2018, aos 93 anos, por insuficiência respiratória. A atriz deixou uma marca indelével na comédia brasileira. No mesmo sentido, Yoná Magalhães, a dona da boate Sexus, Matilde, faleceu em outubro de 2015, aos 80 anos, logo após passar por uma cirurgia no coração.
A lista de talentos que partiram inclui ainda Rui Rezende, que interpretou o folclórico Astromar Junqueira, personagem que a população local acreditava ser um lobisomem. O ator faleceu em 2024, encerrando uma trajetória de dedicação à arte. Estes artistas, junto a outros nomes da produção, consolidaram Roque Santeiro como um fenômeno de audiência e crítica, garantindo que o folhetim ocupe, até hoje, um lugar de destaque no panteão das novelas brasileiras.
O retorno de Roque Santeiro à televisão aberta é uma oportunidade para novas gerações conhecerem a genialidade de seus autores e a entrega de um elenco que transformou a ficção em um espelho da sociedade. O Diário Independente continua acompanhando os desdobramentos desta reestreia e trazendo informações sobre os bastidores e o impacto cultural das grandes produções que moldaram o entretenimento no país. Siga conosco para mais conteúdos sobre a história da TV brasileira e notícias relevantes do cenário cultural.