A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu nesta sexta-feira (21) o inquérito que investigava a morte da capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo, de 41 anos. O marido da vítima, o sargento da PM Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, foi indiciado pelo crime de feminicídio. O caso, que chocou a corporação e a sociedade mineira, segue agora para análise do Ministério Público.
O procedimento investigatório foi remetido ao Poder Judiciário com a conclusão de que há elementos suficientes para sustentar a acusação. Em nota oficial, a Polícia Civil informou que o inquérito apurou a autoria, materialidade, motivação e as circunstâncias do crime. Devido à natureza sensível da ocorrência, o processo tramita sob sigilo decretado pela Justiça, o que restringe a divulgação de detalhes adicionais sobre as diligências finais.
Dinâmica do crime e a versão do suspeito
A capitã Michele Leão Azevedo faleceu na noite de 20 de julho. Na ocasião, o sargento Eduardo Abner a levou ao Hospital Odilon Behrens, na Região Noroeste de Belo Horizonte, onde a vítima chegou sem vida. A equipe médica que realizou o atendimento identificou múltiplos ferimentos pelo corpo da policial, incluindo um corte profundo na região frontal da cabeça, o que motivou a prisão em flagrante do marido, posteriormente convertida em preventiva.
Em seu depoimento, Eduardo Abner negou qualquer envolvimento criminoso. O sargento alegou que o casal havia consumido bebidas alcoólicas e entorpecentes em uma festa no apartamento onde residiam. Segundo sua versão, os ferimentos teriam sido causados por práticas sexuais consensuais e por uma queda acidental da vítima em uma escada. Contudo, as evidências coletadas pelos peritos apontaram que a morte ocorreu entre quatro e seis horas antes de Michele ser levada à unidade hospitalar.
Evidências periciais e vestígios no local
A investigação reuniu um conjunto de provas materiais que contradizem a narrativa do suspeito. Durante as buscas no apartamento do casal, os investigadores localizaram um cabo de madeira quebrado no lixo próximo à saída de emergência, item que pode ter sido utilizado como instrumento das agressões. Além disso, a perícia constatou que as roupas de cama haviam sido removidas e colocadas para lavar, estando ainda molhadas no momento da apreensão.
O Instituto Médico Legal (IML) também contribuiu com análises toxicológicas. Exames realizados na urina da vítima detectaram a presença de compostos sintéticos, como metilenodioxianfetamina (MDA) e metilenodioximetanfetamina (MDMA), substâncias associadas ao ecstasy e à anfetamina. Esses laudos foram fundamentais para compor o cenário técnico que embasou o indiciamento por parte da autoridade policial.
Próximos passos do processo judicial
Com o encerramento da fase policial, o Ministério Público assume a condução da próxima etapa. Os promotores deverão avaliar o conteúdo do inquérito para decidir se apresentam denúncia formal à Justiça, se solicitam o arquivamento ou se requerem novas diligências complementares. Caso a denúncia seja aceita pelo juiz, o sargento Eduardo Abner passará à condição de réu e será submetido a julgamento.
O caso reforça a necessidade de um debate contínuo sobre a violência contra a mulher, mesmo dentro de instituições de segurança pública. O Diário Independente segue acompanhando os desdobramentos deste caso e outros temas de relevância para a sociedade. Para se manter informado com credibilidade e profundidade, continue acompanhando nossas atualizações diárias sobre segurança e justiça no Brasil. Mais informações podem ser consultadas no portal oficial do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.