Cultura em pauta: as propostas de Lula e Flávio Bolsonaro para o setor

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Cultura em pauta: as propostas de Lula e Flávio Bolsonaro para o setor
© Arquivo/Agência Brasilia

A política cultural brasileira ocupa o centro de um debate fundamental nesta corrida eleitoral, revelando visões distintas sobre o papel do Estado na preservação da memória e no fomento à produção artística. Enquanto o candidato Luiz Inácio Lula da Silva propõe a ampliação de mecanismos de incentivo e a integração da cultura com a educação, o candidato Flávio Bolsonaro concentra seu plano na preservação do patrimônio histórico e no aperfeiçoamento das leis vigentes.

Divergências no modelo de financiamento e gestão

O financiamento da cultura é um dos pontos de maior contraste entre as plataformas apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O plano de governo de Lula aposta na continuidade e aprimoramento de legislações como a Lei Aldir Blanc e a Lei Rouanet, além de prever a descentralização dos recursos através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A meta declarada é levar infraestrutura cultural para territórios periféricos e ampliar o acesso ao crédito para a economia criativa.

Em contrapartida, a proposta de Flávio Bolsonaro não menciona o aumento do aporte financeiro estatal, focando na otimização dos recursos já existentes. O candidato defende a correção de distorções nas leis de incentivo e o desenvolvimento de polos regionais, buscando uma gestão que, segundo o documento, seria mais eficiente e menos centralizada, visando a preservação de centros históricos e acervos culturais do país.

O futuro do audiovisual e da economia digital

O setor audiovisual, que movimenta bilhões na economia nacional, possui tratamento distinto nos planos. O programa de Lula inclui a regulamentação do streaming (VOD) para proteger interesses nacionais, o fortalecimento da propriedade intelectual e o fomento à indústria de games. O candidato petista também propõe a criação de políticas específicas para a inteligência artificial e o direito autoral no ambiente digital.

O plano de Flávio Bolsonaro, por outro lado, mantém silêncio sobre o setor audiovisual e as novas tecnologias digitais. A ausência de propostas detalhadas para essas áreas sugere uma abordagem focada na manutenção do patrimônio físico e das artes tradicionais, em detrimento da expansão industrial e tecnológica do setor cultural.

Contexto histórico e o legado das gestões

A discussão sobre cultura é indissociável do histórico recente do país. Durante a gestão de Jair Bolsonaro (2019-2022), o Ministério da Cultura foi extinto e transformado em secretaria, resultando em uma queda expressiva no orçamento, que passou de R$ 245,5 milhões em 2018 para R$ 89,5 milhões em 2022. O governo da época, contudo, regulamentou o Programa Nacional de Incentivo à Cultura (Pronac) em 2021, priorizando artes sacras e belas-artes.

Já o histórico do PT é marcado pela criação de programas como o Cultura Viva, os Centros de Artes e Esportes Unificados (CEUs) e o Vale Cultura, instituído em 2013 sob a gestão de Dilma Rousseff. Após reassumir a presidência em 2023, o governo Lula recriou o Ministério da Cultura e implementou a Lei Paulo Gustavo, além de retomar a Cota de Tela, destinando R$ 3,6 bilhões ao setor audiovisual entre 2023 e 2025. Confira a íntegra dos planos de governo na Agência Brasil.

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