Minas Gerais enfrenta um cenário desafiador no campo da segurança pública, figurando como o segundo estado brasileiro com o maior número de feminicídios. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam que, no ano passado, 177 mulheres foram vítimas fatais de violência de gênero, um crescimento de 4,4% em relação ao período anterior. Paralelamente, o território mineiro lida com a expansão de facções criminosas, com ao menos 35 organizações e quadrilhas ligadas ao tráfico de drogas sob monitoramento das autoridades.
Para o próximo ocupante do Palácio da Liberdade, a partir de 2027, o enfrentamento a essas duas frentes não será apenas uma pauta de campanha, mas uma necessidade urgente de gestão. Pesquisas de opinião, como a da Quaest, indicam que a violência é uma das principais preocupações do eleitorado mineiro, superada apenas pela saúde. Diante disso, o Diário Independente analisou os planos de governo dos 11 candidatos registrados na Justiça Eleitoral para entender como pretendem tratar essas crises.
Estratégias de proteção à mulher e combate ao crime
As propostas variam entre o fortalecimento da rede de proteção existente e a implementação de novos modelos de inteligência policial. Candidatos como Alexandre Kalil (PDT) e Gabriel (MDB) apostam na integração de serviços e no uso de dados para antecipar riscos. Enquanto Kalil propõe o projeto “Minas contra o Dinheiro do Crime” para asfixiar financeiramente as facções, Gabriel sugere a criação de um “Centro Integrado de Inteligência Criminal” para mapear o avanço territorial dessas organizações.
Já Cleitinho Azevedo (Republicanos) foca na expansão de delegacias especializadas e no uso de tecnologia, como tornozeleiras eletrônicas para monitorar agressores. Por outro lado, Ben Mendes (Missão) propõe uma abordagem mais drástica no sistema prisional, citando como referência o modelo de isolamento total adotado em El Salvador, além de um centro de inteligência contra o crime organizado.
Abordagens distintas na segurança pública
O espectro de propostas é amplo. Mateus Simões (PSD) e Patrus Ananias (PT) defendem a adesão ou aprofundamento de pactos nacionais de prevenção ao feminicídio, com foco em respostas integradas entre segurança, saúde e assistência social. Patrus, especificamente, enfatiza a necessidade de maior fiscalização dentro das unidades prisionais para impedir que facções operem de dentro dos presídios.
Candidatos como Indira Xavier (UP) e Rafael Duda (PSTU) priorizam o viés social, defendendo orçamento específico para casas-abrigo, auxílio-aluguel e transferência de renda para vítimas, argumentando que a autonomia financeira é um pilar essencial para romper ciclos de violência. Já Flávio Roscoe (PL) propõe protocolos de reavaliação obrigatória de medidas protetivas a cada 30 dias para casos de risco extremo.
Cenários sem propostas específicas
Algumas candidaturas optaram por não detalhar estratégias específicas para ambos os temas. O plano de Henrique Áreas (PCO), por exemplo, foca na dissolução da Polícia Militar, sem citar planos para o combate ao crime organizado ou feminicídios. Túlio Lopes (PCB) prioriza a educação sexual e a investigação de crimes domésticos, mas não apresenta diretrizes para o enfrentamento a facções. É fundamental que o eleitor acompanhe as discussões para entender como cada projeto se traduzirá em políticas públicas efetivas.
O Diário Independente segue comprometido em trazer a análise aprofundada dos temas que impactam o cotidiano dos mineiros. Continue acompanhando nossa cobertura especial sobre as eleições e as propostas para saúde, economia e mobilidade urbana, garantindo um voto consciente e bem informado.
Para mais detalhes sobre as políticas de segurança, consulte a base de dados oficial do Tribunal Superior Eleitoral.