A apresentadora Sabina Simonato, durante a edição desta quarta-feira (26) do Bom Dia São Paulo, manifestou indignação ao abordar os transtornos enfrentados por passageiros com deficiência (PcDs) na Grande São Paulo. O motivo da revolta foi a exigência de deslocamento presencial até Itapecerica da Serra para o desbloqueio do cartão TOP Especial, único posto disponível para a regularização do benefício.
Logística precária e impacto na rotina dos usuários
A situação expõe uma falha logística que afeta diretamente a mobilidade de pessoas que dependem da gratuidade no transporte público. Durante a reportagem, foi destacado que beneficiários precisam cruzar longas distâncias, muitas vezes enfrentando dificuldades de locomoção, para resolver problemas burocráticos. A apresentadora enfatizou que a centralização do atendimento em um único ponto é incompatível com a extensão da região metropolitana.
O repórter Felipe, que acompanhou o caso, relatou a presença de mães de beneficiários na fila vindas de cidades como Arujá e Franco da Rocha. As distâncias, que chegam a 83 km e 57 km respectivamente, tornam o processo de desbloqueio uma jornada exaustiva e financeiramente onerosa para quem deveria ter o direito ao transporte garantido.
Revolta ao vivo e questionamento sobre empatia
Com o tom de voz alterado, Sabina Simonato não poupou críticas à gestão do sistema. “Que vergonha, papelão. Uma vergonha estampada ao vivo para todo o estado”, declarou a jornalista. Ela questionou a ausência de alternativas digitais ou postos regionais que facilitassem a vida dos usuários, classificando a situação como uma falta de planejamento e de empatia com o público PcD.
A apresentadora reforçou que o questionamento não é sobre a necessidade da biometria facial — mecanismo de segurança para evitar fraudes —, mas sobre a forma como o processo é conduzido. Para ela, exigir que o passageiro atravesse dezenas de quilômetros para provar sua identidade presencialmente, sem oferecer suporte adequado, configura um desrespeito aos direitos dos cidadãos.
Posicionamento dos órgãos responsáveis e da operadora
Em nota, a Secretaria de Parcerias em Investimentos do Estado de São Paulo (SPI) e a Artesp informaram que participam da governança integrada da bilhetagem metropolitana. Os órgãos afirmaram estar em diálogo com a Autopass para ampliar os pontos de atendimento e os canais digitais, visando melhorar a acessibilidade. Segundo as entidades, a gestão de bloqueios e dados operacionais compete aos responsáveis pela operação e fiscalização do sistema.
A Autopass, operadora do cartão TOP, justificou que a biometria é essencial para prevenir fraudes. A empresa informou que, desde a implementação, cerca de 1,3 milhão de transações foram avaliadas, resultando em 22.900 bloqueios. A operadora declarou que uma solução online para validação de identidade já está tecnicamente pronta, aguardando apenas as aprovações das instâncias competentes para ser disponibilizada aos usuários.
Compromisso com o cidadão
O desabafo de Sabina Simonato encerrou o bloco reforçando que a eficiência do serviço público deve caminhar lado a lado com o respeito à dignidade do passageiro. A discussão levanta um debate necessário sobre a modernização dos sistemas de transporte e a responsabilidade das concessionárias em garantir que a tecnologia não se torne uma barreira de acesso.
O Diário Independente segue acompanhando os desdobramentos sobre a ampliação dos pontos de atendimento e a implementação das soluções digitais prometidas pela Autopass. Continue acompanhando nosso portal para se manter informado sobre as notícias que impactam o seu dia a dia, com a credibilidade e a profundidade que você merece.