Escala 6×1 prejudica saúde mental de 67% dos brasileiros, aponta pesquisa

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Escala 6x1 prejudica saúde mental de 67% dos brasileiros, aponta pesquisa
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Impactos da rotina exaustiva na qualidade de vida

A jornada de trabalho conhecida como escala 6×1, na qual o colaborador atua por seis dias consecutivos com apenas um dia de descanso, tornou-se o centro de um intenso debate nacional. Um levantamento recente realizado pelo Instituto Locomotiva, em parceria com a QuestionPro, revelou que 67% dos brasileiros sentem que esse modelo de trabalho provoca uma deterioração direta em sua saúde mental. O estudo, que ouviu 1.030 pessoas em todas as regiões do país entre os dias 2 e 8 de junho, expõe as fragilidades de um sistema que, para a maioria, prioriza a renda em detrimento do bem-estar físico e emocional.

Os dados vão além do aspecto psicológico. A pesquisa aponta que 62% dos entrevistados relatam prejuízos à saúde física, enquanto 61% afirmam que o sono e o descanso reparador são severamente impactados. O cenário reflete uma exaustão crônica: 83% dos trabalhadores sentem-se constantemente cansados, e 78% admitem que é difícil descansar verdadeiramente após uma semana de apenas um dia de folga. Essa percepção é ainda mais acentuada entre as mulheres, grupo no qual 89% declaram sacrificar a saúde e o lazer em nome da manutenção da renda mensal.

O peso da jornada no convívio social e familiar

A escassez de tempo livre não afeta apenas o indivíduo, mas também a estrutura familiar e a manutenção de hábitos saudáveis. Segundo o levantamento, 69% dos brasileiros acreditam que o convívio com a família é prejudicado pela escala 6×1. Além disso, 71% dos participantes afirmam que a rotina dificulta a adoção de práticas de vida mais equilibradas, como a prática de exercícios ou a alimentação adequada, que exigem tempo e disposição física que a jornada atual consome.

Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, destaca que o cerne do descontentamento popular reside no que ele define como o “tamanho da vida” que resta após o cumprimento das obrigações laborais. Para o especialista, a jornada pesa sobre dimensões fundamentais da existência humana, comprometendo não apenas o rendimento profissional, mas a qualidade das relações pessoais e o tempo dedicado ao autocuidado.

Tramitação legislativa e perspectivas futuras

O debate sobre a flexibilização ou o fim dessa escala ganhou força no Congresso Nacional com o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221 de 2019. Recentemente, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou o texto, que propõe a obrigatoriedade de dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial. A proposta prevê ainda a diminuição da jornada semanal de 44 para 40 horas, estabelecendo um período de transição de 14 meses para a adaptação das empresas.

Apesar do apelo social por melhores condições de trabalho, a discussão parlamentar permanece complexa. Setores econômicos e especialistas divergem sobre os possíveis impactos da mudança na inflação e no Produto Interno Bruto (PIB). Enquanto defensores da medida argumentam que o aumento da qualidade de vida pode elevar a produtividade a longo prazo, críticos apontam desafios operacionais para setores que dependem de operação contínua. O Diário Independente segue acompanhando de perto os desdobramentos desta pauta, que promete ser um dos temas centrais na agenda legislativa e econômica do país nos próximos meses.

Continue acompanhando o Diário Independente para se manter informado sobre as decisões que impactam o mercado de trabalho e a sociedade brasileira. Nosso compromisso é levar até você uma análise aprofundada, baseada em fatos e com o contexto necessário para compreender as mudanças que moldam o nosso futuro.

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