Dengue em São Paulo: estado registra quase 60 mil casos e alerta para mortes sob investigação

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Dengue em São Paulo: estado registra quase 60 mil casos e alerta para mortes sob investigação
© Fernando Frazão/Agência Brasil

O estado de São Paulo enfrenta um cenário preocupante de saúde pública com a confirmação de 58.683 casos de dengue desde o início do ano. O dado, que reflete a persistência da arbovirose em território paulista, vem acompanhado de um número expressivo de óbitos: 42 mortes já foram confirmadas, enquanto outras 30 permanecem sob investigação pelas autoridades sanitárias, o que pode elevar o balanço final da doença nos próximos meses.

Perfil clínico e gravidade da doença

A Secretaria da Saúde detalhou que a grande maioria das notificações, totalizando 57.402, foi classificada como dengue clássica. No entanto, a preocupação das equipes médicas se volta para os casos de maior complexidade: 1.180 registros foram identificados como dengue com sinais de alarme e 101 casos foram classificados como dengue grave.

O quadro de alerta é caracterizado por sintomas como vômitos persistentes, dor abdominal intensa e sangramento de mucosas. Já a forma grave da doença é diagnosticada quando o paciente apresenta choque, desconforto respiratório, hemorragias severas ou comprometimento agudo de órgãos vitais. Atualmente, o sistema de vigilância ainda processa 7.256 casos suspeitos, enquanto mais de 297 mil notificações foram descartadas após análise clínica ou laboratorial.

Impacto regional e o caso de Taubaté

A distribuição dos óbitos não é uniforme em todo o estado. O município de Taubaté aparece no topo da lista de letalidade, concentrando o maior número de mortes decorrentes da infecção. O perfil das vítimas na cidade revela uma abrangência preocupante, com óbitos registrados em faixas etárias que vão desde crianças e jovens de 10 anos até idosos com mais de 80 anos, evidenciando que a população em geral está exposta aos riscos da transmissão.

Estratégias de enfrentamento e o impacto do El Niño

Para conter o avanço da transmissão, a Secretaria da Saúde reforçou que mantém um monitoramento ininterrupto, com foco intensificado no período entre outubro e maio, historicamente marcado pelo aumento da circulação do mosquito Aedes aegypti. A gestão estadual lançou recentemente o Plano Estadual de Preparação e Resposta em Saúde para o Fenômeno El Niño, que visa adaptar as ações de vigilância diante das mudanças climáticas que favorecem a proliferação do vetor.

As medidas incluem o fortalecimento das salas de situação, a identificação de áreas prioritárias e o suporte técnico aos municípios para a organização da rede de atendimento. Além disso, o governo alega ter repassado, desde 2024, mais de R$ 1,5 bilhão aos 645 municípios paulistas por meio do programa IGM SUS Paulista, destinando recursos para a Atenção Primária e o combate direto às arboviroses.

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