Um protesto realizado nesta terça-feira (13) nas proximidades da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) foi marcado por episódios de hostilidade direcionados à memória da vereadora Marielle Franco. Apoiadores do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) utilizaram um carro de som para proferir ofensas e ironias sobre o assassinato da parlamentar, ocorrido em 2018, em um episódio que reacende o debate sobre a violência política no Brasil.
O ato ocorreu apenas um dia após a administração da PUC-Rio determinar a proibição de manifestações de cunho político-partidário dentro do campus até o encerramento do período eleitoral. A presença dos manifestantes nas imediações da universidade gerou um confronto verbal com estudantes e apoiadores da candidatura de Lula, que reagiram aos ataques entoando gritos de “Marielle, presente”.
A escalada da violência política e o desrespeito à memória
Durante os discursos no carro de som, um dos manifestantes chegou a ironizar a morte da vereadora, proferindo frases desrespeitosas sobre o destino da parlamentar. O episódio foi prontamente repudiado por familiares e figuras públicas. Luyara Franco, filha de Marielle, utilizou suas redes sociais para classificar o ocorrido não como liberdade de expressão, mas como uma forma clara de violência política.
“Transformar o assassinato da minha mãe em motivo de deboche é desrespeitar sua história, sua família e a luta de tantas pessoas que seguem exigindo justiça”, afirmou Luyara. Ela relembrou a trajetória acadêmica da mãe, que era cientista social formada pela própria PUC-Rio e mestre em Administração Pública, destacando o compromisso de Marielle com a defesa dos direitos humanos.
Reação familiar e o histórico do crime
A deputada federal eleita Anielle Franco (PT), irmã de Marielle, também se manifestou em solidariedade aos estudantes que enfrentaram as provocações. Anielle, que é professora, reforçou a importância da resistência democrática e afirmou que o grupo se mantém firme na defesa do legado da vereadora. A tensão no local foi um reflexo do clima de polarização que marca o atual cenário eleitoral brasileiro.
O assassinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018, no centro do Rio de Janeiro, tornou-se um marco na luta contra a impunidade. O caso teve desdobramentos judiciais significativos em anos recentes. Em 2024, os executores confessos, os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, foram condenados pela Justiça.
Desdobramentos judiciais e condenações
Além dos executores, o sistema de justiça brasileiro avançou na identificação e condenação dos mandantes e articuladores do crime. O Supremo Tribunal Federal (STF) manteve as sentenças contra figuras centrais da política e da segurança pública do Rio de Janeiro, consolidando um passo importante para a justiça no caso.
Entre os condenados pelo envolvimento no planejamento e execução do atentado estão:
- Domingos Brazão, ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro;
- Chiquinho Brazão, ex-deputado federal;
- Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro;
- Ronald de Paula, major da Polícia Militar;
- Robson Calixto, ex-policial militar.
O Diário Independente segue acompanhando os desdobramentos deste caso e os impactos da polarização política no cotidiano dos brasileiros. Mantenha-se informado com nossa cobertura completa, pautada pela ética, pela apuração rigorosa e pelo compromisso com a verdade dos fatos.