Chongqing: a metrópole chinesa que redefine o desenvolvimento industrial e urbano

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Chongqing: a metrópole chinesa que redefine o desenvolvimento industrial e urbano
© Lucas Pordeus León/Agência Brasil

Em meio às montanhas do sudoeste chinês, onde o encontro dos rios Yangtzé e Jialing desenha a paisagem, ergue-se Chongqing. Com uma população de 32 milhões de habitantes, a cidade deixou de ser um ponto remoto no interior da China para se consolidar como um motor vital da transformação econômica do país nas últimas cinco décadas. O município, que ostenta o título de maior área urbana em extensão territorial do mundo, é hoje um laboratório vivo de modernização acelerada e planejamento centralizado.

A metrópole, frequentemente chamada de “cidade das neblinas” ou “cidade das montanhas”, oferece um contraste visual impactante. Arranha-céus futuristas e complexos viadutos de engenharia complexa convivem com a arquitetura tradicional, criando um cenário onde o novo e o antigo se fundem. Um dos exemplos mais emblemáticos dessa audácia arquitetônica é a estação de metrô de Liziba, que atravessa literalmente o interior de um edifício residencial, simbolizando a capacidade da cidade de integrar infraestrutura de massa ao tecido urbano denso.

A força motriz da indústria chinesa

O peso econômico de Chongqing na estrutura nacional da China é absoluto. A cidade é um centro manufatureiro de primeira linha, abrigando 39 das 41 grandes categorias industriais reconhecidas pelo governo chinês. O setor automotivo é um dos pilares dessa potência, com a presença de 19 fabricantes de veículos e uma vasta rede de mais de 1,2 mil empresas voltadas para a produção de autopeças.

A transição energética também é visível nas ruas. O silêncio dos motores a combustão é substituído pela predominância de veículos elétricos, sustentados por uma infraestrutura robusta de recarga. Além do setor automotivo, o parque industrial de Chongqing é diversificado, englobando desde a tecnologia nuclear e aeroespacial até a indústria naval e de equipamentos militares, consolidando a cidade como um polo estratégico para a soberania tecnológica chinesa.

Conexão global pela nova Rota da Seda

Além de sua força produtiva, Chongqing desempenha um papel logístico central na iniciativa da Nova Rota da Seda. A metrópole funciona como um hub multimodal que conecta o interior da China aos mercados globais. Através de uma rede extensa de trens de alta velocidade e rodovias expressas, produtos fabricados localmente chegam à Europa, Rússia e Ásia Central em prazos competitivos. O rio Yangtzé, por sua vez, atua como uma artéria fluvial vital, transportando mercadorias até o porto de Xangai, a cerca de 1,4 mil quilômetros de distância.

Governança e o desafio da civilização ecológica

A relação da cidade com o seu meio geográfico passou por uma mudança de paradigma. Historicamente marcada por enchentes e deslizamentos de terra, Chongqing tem buscado, sob diretrizes de Pequim, adotar o conceito de “civilização ecológica”. O objetivo é conciliar o crescimento econômico desenfreado com a preservação ambiental e a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos.

O pesquisador brasileiro André Pereira Reinnert Tokarski, que coordena projetos de cooperação entre Brasil e China, destaca essa transição. Segundo o especialista, a cidade deixou de ver o rio Yangtzé como uma ameaça constante a ser combatida, passando a integrar o curso d’água ao planejamento urbano de forma adaptativa. Esse esforço de governança é visto pelo governo chinês como uma aplicação prática do pensamento de Xi Jinping sobre o desenvolvimento sustentável.

Para além dos números e da infraestrutura, Chongqing também se destaca culturalmente. A culinária local, famosa pelo uso intenso de especiarias e pelo tradicional hot pot, tem atraído um fluxo crescente de turistas, posicionando a cidade como um destino cosmopolita. O Diário Independente segue acompanhando de perto os desdobramentos da política internacional e os impactos do desenvolvimento chinês no cenário global. Continue conosco para mais análises aprofundadas sobre os temas que moldam o futuro do nosso planeta.

*O repórter viajou a convite do Comitê Municipal do Partido Comunista Chinês (CPC) em Chongqing e da Academia Chinesa de Ciências Sociais (CASS).

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