INPC registra variação negativa em agosto e acumula alta de 3,98% em 12 meses

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INPC registra variação negativa em agosto e acumula alta de 3,98% em 12 meses
© Marcello Casal JrAgência Brasil

O custo de vida para as famílias brasileiras de menor renda apresentou um recuo no último mês. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), divulgado nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), fechou agosto com variação de -0,32%. Com este resultado, o indicador, que serve como termômetro para o poder de compra dos trabalhadores, acumula uma alta de 3,98% no período de 12 meses.

O cenário de deflação observado em agosto repete uma tendência iniciada no mês anterior, quando o índice registrou -0,01%. Para efeito de comparação, o desempenho atual é o mais baixo registrado desde setembro de 2022, quando o indicador também marcou -0,32%. Em agosto de 2025, o índice havia ficado em -0,21%, evidenciando uma pressão de preços distinta da observada no cenário atual.

Impacto da energia elétrica no orçamento familiar

O principal motor para a queda do índice no oitavo mês do ano foi o grupo de habitação, que apresentou recuo de 2,17%, exercendo um impacto de -0,38 ponto percentual no resultado final. Esse movimento foi impulsionado diretamente pelo Bônus de Itaipu, um desconto aplicado nas contas de luz dos consumidores, que aliviou o peso das despesas fixas no orçamento doméstico.

Como o INPC reflete o comportamento de preços para famílias com renda entre um e cinco salários mínimos, qualquer variação em itens essenciais, como a energia elétrica, possui um efeito imediato e significativo na percepção de custo de vida dessa parcela da população.

Relevância para a política salarial e benefícios

A importância do INPC transcende a leitura econômica imediata, sendo uma ferramenta fundamental para a manutenção da renda do trabalhador. O acumulado de 12 meses do índice é a base utilizada para o reajuste salarial de diversas categorias profissionais. Além disso, o indicador é essencial para o cálculo de benefícios sociais e previdenciários.

O salário mínimo, por exemplo, utiliza o dado consolidado de novembro para sua definição. Já o teto do INSS, o seguro-desemprego e outros benefícios pagos a quem recebe acima do piso nacional dependem do resultado acumulado até o fechamento de dezembro. Dessa forma, a trajetória do índice ao longo do segundo semestre é acompanhada de perto por sindicatos, empresas e pelo governo federal.

Diferenças metodológicas entre INPC e IPCA

Embora o IBGE também tenha divulgado o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — que também marcou -0,32% em agosto —, existem distinções técnicas importantes entre os dois indicadores. Enquanto o IPCA abrange famílias com renda de até 40 salários mínimos, o INPC foca especificamente no público com renda de até cinco salários.

A cesta de consumo também difere: o INPC monitora 367 subitens, dez a menos que o IPCA. Além disso, o peso dos grupos é ajustado conforme o perfil de consumo de cada estrato social. No INPC, os alimentos possuem um peso maior, representando cerca de 25% do índice, contra 21% no IPCA, refletindo o fato de que famílias de menor renda comprometem uma fatia maior de seus ganhos com a alimentação básica.

O Diário Independente segue acompanhando os desdobramentos da economia nacional e os impactos dos indicadores oficiais no dia a dia dos brasileiros. Continue conosco para se manter informado sobre as atualizações que afetam o seu bolso e o cenário econômico do país.

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