A lenda do caixão: a verdade sobre a morte do sertanejo Aladim

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A lenda do caixão: a verdade sobre a morte do sertanejo Aladim
Reprodução/Montagem/YouTube

O surgimento de um mito na música sertaneja

O folclore brasileiro é repleto de histórias que atravessam gerações, e poucas são tão persistentes quanto a que envolve o cantor Aladim, da icônica dupla sertaneja Alan & Aladim. Mais de três décadas após o seu falecimento, em 1º de outubro de 1992, o nome do artista ainda é frequentemente associado a uma das lendas urbanas mais macabras do país: a de que ele teria sido enterrado vivo devido a um quadro de catalepsia.

Na década de 1980, a dupla vivia o auge de sua carreira. Com o sucesso estrondoso de Liguei pra dizer que te amo, lançada em 1987, os músicos conquistaram o Brasil, vendendo cerca de 2 milhões de cópias e consolidando-se como protagonistas do sertanejo romântico. O choque da morte precoce de José Nascimento Cardoso, aos 35 anos, abriu espaço para especulações que, com o passar do tempo, ganharam contornos de mistério sobrenatural.

Contexto médico e a realidade do falecimento

A trajetória de Aladim foi interrompida por complicações de saúde que, na época, geraram grande comoção. O cantor enfrentava uma infecção dentária severa que evoluiu para um quadro crítico, dificultando funções básicas como a mastigação e a deglutição. Ao buscar auxílio médico em Mogi das Cruzes, interior de São Paulo, o artista foi submetido a um procedimento cirúrgico nas amígdalas.

Durante o período de internação, o cantor sofreu uma parada cardiorrespiratória irreversível. Especialistas apontaram, posteriormente, que o óbito foi decorrente de uma septicemia — uma infecção generalizada — ou choque anafilático. O sepultamento ocorreu no Cemitério da Saudade, na mesma cidade paulista, marcando o fim de uma era para a música sertaneja, mas o início de um debate público que perduraria por décadas.

A origem dos boatos sobre o sepultamento

A teoria de que Aladim teria sido enterrado vivo surgiu de falhas logísticas e de comunicação observadas no momento do sepultamento. O parceiro de palco, Edmilson Fernandes Machado, conhecido como Alan, esclareceu em diversas entrevistas, incluindo uma conversa com o jornalista André Piunti, que o túmulo não foi lacrado imediatamente após o velório, permanecendo aberto até a manhã seguinte.

Essa brecha temporal foi o combustível necessário para a propagação de boatos sobre gritos noturnos e supostos arranhões no interior do caixão. A narrativa de que ele sofria de catalepsia — um distúrbio que reduz drasticamente os batimentos cardíacos e paralisa os movimentos, simulando a morte — foi alimentada pela imaginação popular. No entanto, a família do cantor sempre se opôs a qualquer tentativa de exumação, buscando preservar a memória do artista e evitar o sofrimento causado pelas especulações infundadas.

Legado e continuidade na música

Embora a lenda permaneça viva no imaginário coletivo, a realidade é que o legado de Alan & Aladim segue sendo celebrado. Em 2026, Alan continua em plena atividade, mantendo viva a história da dupla através do projeto Alan & Aladim Pra Sempre. Ao lado de Rudy Reis, que assume a voz de Aladim, o cantor percorre o Brasil levando os sucessos que marcaram a geração dos anos 80.

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