O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, apresentou oficialmente seu plano de governo, estruturando sua proposta de gestão em torno de um projeto que classifica como “transformador”. Com uma trajetória que transita entre a medicina, o agronegócio e uma longa carreira legislativa, o ex-governador de Goiás busca nacionalizar as diretrizes que aplicou em sua gestão estadual, focando em pilares como responsabilidade fiscal, pacificação democrática e uma reforma profunda na segurança pública.
Estratégia de segurança pública e combate ao crime organizado
A segurança pública ocupa o centro das propostas de Caiado. O candidato defende que o Estado deve tratar o avanço das milícias e organizações criminosas como uma ameaça terrorista doméstica. Entre as medidas mais incisivas, o plano propõe a criação de um Ministério da Segurança Pública e a implementação de um Conselho Estratégico Nacional para integrar a atuação dos 27 governadores com o governo federal.
O programa sugere mudanças legislativas profundas, incluindo a redução da maioridade penal para 16 anos em crimes graves e o endurecimento das penas para o roubo de celulares. Além disso, o candidato propõe que as Forças Armadas possam atuar contra o crime organizado sem a necessidade de decretos de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), além de endurecer a regulação sobre apostas on-line, vistas pelo presidenciável como riscos à saúde pública e à economia.
Desenvolvimento econômico e metas de investimento
No campo econômico, Caiado propõe uma mudança de patamar para o Brasil. O objetivo central é elevar o nível de investimento público e privado dos atuais 17% do Produto Interno Bruto (PIB) para 25%. Para viabilizar essa meta, o plano aposta na manutenção de uma trajetória fiscal sustentável e na redução do custo do capital, elementos que, segundo o candidato, são essenciais para atrair investimentos de longo prazo em infraestrutura e tecnologia.
Educação e saúde como pilares de gestão
Inspirado por sua experiência administrativa em Goiás, Caiado propõe um pacto nacional pela alfabetização, com a meta de garantir que crianças dominem competências básicas de leitura e matemática até o final do 2º ano do ensino fundamental. A estratégia também prevê a expansão do ensino em tempo integral e uma maior conexão entre a educação profissional e as necessidades reais do mercado de trabalho.
Na saúde, o candidato reafirma o compromisso com o Sistema Único de Saúde (SUS), mas defende uma mudança de paradigma. A proposta é priorizar a medicina preventiva sobre a curativa, reorganizando os critérios de agendamento de consultas e procedimentos. O foco será a análise de risco e a gravidade dos casos, visando reduzir o tempo de espera e otimizar a utilização de tecnologia no atendimento ao cidadão.
O plano de governo completo, que soma 100 páginas, detalha ainda diretrizes para áreas como agronegócio, meio ambiente e desenvolvimento regional. Para o candidato, a viabilidade dessas reformas depende diretamente de uma nova forma de articulação política, que recupere a capacidade de diálogo entre o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e os demais entes federativos.
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